A cultura do povo Karajá

Mulheres Iny são homenageadas no 08 de Março

As mulheres Iny das aldeias de Santa Izabel do Morro, JK, e Wataú também foram homenageadas no Dia Internacional da Mulher.  Cerca de 150 pessoas entre mulheres, filhos e maridos participaram das  atividades do O8 de março na escola indígena Maluá, em Santa Izabel. Elas receberam homenagens de seus filhos, com a apresentação de cartazes produzidos em sala de aula,  e também foram sorteados brindes entre as participantes. As mulheres também puderam realizar alguns exames médicos e junto com suas famílias  participaram do almoço coletivo.

No periódo da manhã as mulheres participaram de uma mini gincana, assistiram uma palestra sobre Direitos da Mulher e Lei Maria da Penha, com a escrivã da polícia civil de São Félix do Araguaia, Ana Cleide Milhomem, que explicou como funciona a lei e como acionar a ajuda da Justiça.”A gente sabe que acontece casos de violência contra a mulher dentro da aldeia, mas poucas nos procuram, pois elas têm medo de que os agressores sejam presos, nós estamos aqui pra esclarecer essas dúvidas e oferecer apoio a essas mulheres”, afirmou a palestrante.

A questão da violência contra a mulher, sobretudo a violência doméstica preocupa a comunidade. Segundo a  coordenadora das ações de Educação e Saúde do Disei Araguaia, Lenimar Silva da Cruz Werreeriá, com o aumento do alcoolismo a violência cresceu dentro da aldeia e as mulheres se tornaram o alvo dessa fúria irracional . “Temos muitos relatos de mulheres que estão sofrendo em situações de violência dentro de suas casas, os maridos, os filhos quando bebem se tornam agressivos, isso é muito sério e precisa ser debatido dentro da comunidade”, afirmou.

Na parte da tarde, 16 mulheres participaram da oficina de comunicação. A oficina foi ministrada pela jornalista Rizza Matos que atualmente trabalha como voluntária para a associação Ahima JK. Durante a oficina as mulheres escreveram um carta direcionada a Secretaria de Direitos Humanos do TO e o espaço também  serviu como para  discustir sobre a apropriação da tecnologia pelos indígenas, sobretudo pelos jovens e como a mulheres analisam essa aproximação. As mães que estavam presentes na oficina expuseram suas opiniões e alertaram sobre a falta de ocupação dos jovens. Samika Karajá foi uma dessa mulheres. Ela nunca acessou a internet, nunca digitou uma letra no teclado de um computador, mas por outro lado ela sabe o que é uma lan house, pois seu filho adolescente pede com frequência dinheiro para poder ir até a lan mais próxima que fica 10 minutos de barco da aldeia, na cidade de São Félix do Araguaia (MT). Em narubé ela afirmou que o filho gosta de usar a internet, mas que não sabe o que ele faz. “Meu filho já tem idade para ir para a cidade sozinho, eu deixo, mas gostaria que ele ficasse mais tempo na aldeia, por isso acho que tem um lugar para os jovens acessar a internet daqui de dentro da aldeia, assim a gente fica mais tempo com nossos filhos”, contou Samika.

Durante todo o dia foram realizados exames voltados para a saúde da mulher, como coleta de PCCU e teste rápido de HIV. As atividades é o resultado de uma parceria entre o Distrito Especial de Saúde Indígena do Araguaia, Disei Araguaia, Associação de Mulheres Indigenas da Aldeia JK (AHIMA JK)  junto com as lideranças da comunidade.

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Uma resposta

  1. Reblogged this on Blogue do Anápuáka.

    12/03/2012 às 21:19

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